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Artigos e Opiniões

Data:
Segunda, 14 Maio 2018 16:42
Escrito por
Fábio Coêlho
Título:

Opinião: A derrocada do PT Tocantins diante da truculência antidemocrática


 

 

Democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais. Construção do socialismo democrático.  São termos constantes no artigo 1° do estatuto do Partido dos Trabalhadores. Eles norteiam as ações dos Trabalhadores e das trabalhadoras que buscam diuturnamente, há quase 40 anos, construir uma realidade mais igualitária para o povo brasileiro.  

 

No Tocantins, se observarmos com atenção, essa construção caminhou bem até certo tempo.  

 

Registros diversos não deixam dúvidas da pujança que o Partido dos Trabalhadores do Tocantins já teve. Uma militância aguerrida na luta pela consolidação de um estado onde a democracia é seu agente indutor de transformação social, mas  para alcançar essa transformação é preciso garantir a ocupação de espaços de poder tanto a nível dos municípios, quanto do estado.  

 

O PT defende a liberdade de expressão, a pluralidade das ideias, o respeito às instâncias democraticamente constituídas por meio do voto, mas quando essas instâncias sofrem algum tipo de intervenção, macula-se aquilo que tanto presamos, que tanto lutamos para o povo Tocantinense, para o povo brasileiro: a garantia do Estado Democrático de Direito.  

 

Vemos hoje um Tocantins amargurado , sofrido, dilacerado pelos governos e seus asseclas que pensaram unicamente no bem estar próprio e dos seus, deixando o povo, quem mais importaem planos secundários. Ao mesmo tempo que vimos a derrocada do Estado, ou das suas gestões, vimos a derrocada da classe trabalhadora muito bem representada pelo PT.  

 

Em 2006, momento, na minha singela opinião, ideal para iniciar a caminhada por uma gestão democrática, responsável e comprometida com tocantinense, o Partido dos Trabalhadores tinha um nome e sua vontade de disputar, com chances, talvez ainda de não eleger, mas fortalecer a classe trabalhadora rumo a um futuro próximo de grandes conquistas, mas os interesses de fora do Tocantins falaram mais alto e não se permitiu a candidatura própria. Ali iniciava-se uma sequência absurda de intervenções de interesses pessoais em busca do poder de um pequeno grupo, que naquele momento passava ainda despercebido.  

 

Em 2010 uma nova chance surgiu, a grande chance! A classe trabalhadora tocantinense tinha novamente a oportunidade de iniciar sua trajetória em busca da ocupação do espaço tão sonhadoEra ainda possível emplacar o sonho, transformando-o em realidade, porém mais uma vez os interesses escusos tomaram de conta e aqueles que detinham, o que prefiro denominar de pseudo poder, tomaram a frente da luta de todo um povo em favor e benefício próprio, mas mesmo assim somente na disputa pelo Senado o PT teve 293.344 votos de confiança de que era possível mudar, era possível imprimir no Estado a política social e democrática vivenciada no Brasil. 

 

Mais quatro anos se passaram e a grande oportunidade bate de novo a porta do Partido dos Trabalhadores no Tocantins em 2014, e o que aconteceu? Intervenção! Não permitiram mais uma vez que a democracia vencesse. 

 

Perdeu o PT, perdeu a classe trabalhadora do já tão sofrido Tocantins. Mas mesmo assim os trabalhadores e trabalhadoras conseguiram eleger, com muito custo, três deputados estaduais. Nada mais, pois os outros espaços foram leiloados. A democracia da sigla e do povo tocantinense era arremessada para longe, para onde a cidadania não conseguia mais alcançar. 

 

Em 2016 o retrato do golpe antidemocrático ficou evidente quando somente pouco mais de 3 mil, isso mesmo 3 mil tocantinenses apenas acreditaram que o era possível imprimir uma política social, democrática, plural e equânime em seus municípios.  O partido elege apenas um prefeito entre os 139 municípios do Tocantins. 

 

Não se pode negar que o golpe à democracia orquestrado a nível nacional contribuiu de forma contundente neste resultado, mas o esfacelamento das políticas sociais e de atenção aos diretórios municipais também tiveram grande influência na derrocada, que se tomarmos por base o ano de 2008, quando somente a Capital elegeu um prefeito petista com 44.832 votos de confiança. 

 

Finalmente o ano de 2018 chegou e com ele a surpresa de uma eleição suplementar com um mesmo governador cassado, diga-se de passagem, pela segunda vez. Mas o Partido dos Trabalhadores do Tocantins ainda teve fôlego para iniciar uma trajetória de lançar candidatura própria. Mesmo diante de um cenário pouco favorável de aceitação popular das políticas democráticas a serem implementadas. Com uma militância aguerrida e com vontade de fazer acontecer, o PT Tocantins decide buscar viabilizar a candidatura própria e mais uma vez o pré-candidato foi escolhido para agir em prol da democracia, em prol da resolução dos inúmeros problemas que assolam toda a população.  

 

A tarefa não seria fácil, pois a candidatura esbarra então na reforma eleitoral que define que a maior parte dos recursos vêm do Fundo Partidário, de pequenas doações de pessoas físicas e uma parcela de 10% de doação do próprio candidato, baseado no seu rendimento bruto do ano anterior. Começa-se então a busca pelo apoio Nacional para viabilizar uma candidatura tida pela militância petista como o último suspiro após as mazelas causadas pela ganância do poder, diga-se de passagem típica da direita, onde se legisla não em causa do povo,  mas em benefício próprio. 

 

A resposta é negativa. Não, não vamos apoiar uma candidatura aonde não se tem vontade política suficiente, mesmo havendo, pois deve-se seguir por outros caminhos, fazer alianças e pagar os favores concedidos em acordos feitos ainda em 2014. Em suma essa foi a resposta inicial, já arquitetada pelo grupo estadual que desde sua ascensão maquina acordos nos subterrâneos da política.  

 

Com apoio da militância, foi-se, literalmente até o último suspiro em busca da democracia, da responsabilidade com o povo, com a coisa pública. Era um domingo, 22 de abril, e a grande notícia chega: o PT mais uma vez não conseguirá emplacar sua candidatura ao governo do Tocantins, pois o atraso, com nome e sobrenome, continua a agir lá nos subterrâneos por não aceitar as decisões democraticamente tomadas na instância local. 

 

Porque?  

 

Porque não há interesse das instâncias superiores impulsionadas por um grupo local notadamente despreocupado com o crescimento e fortalecimento do partido no Tocantins, novamente em benefício próprio, age na calada e tenciona a intervenção nacional, já que na democracia vivenciada hoje no PT Tocantins há o impedimento de impor seus interesses na truculência costumeira e assim buscam garantir que o recurso necessário, e basicamente o único que se pode angariar, para realizar o trabalho da campanha eleitoral, que já começava dali a dois dias não seja viabilizado e assim impossibilitar a caminhada petista no estado.  

 

Mais uma vez o PT Tocantins, o povo tocantinense, a democracia, o Estado Democrático de Direito, a pluralidade de ideias e ideais, a decência e o respeito às instâncias democraticamente constituídas, são colocadas cheque para dar voz e vez aos interesses de um e de outro, deixando a mercê toda uma população, que sofre com os desmandos e descaso da classe dominante. Que deixa de lado o direito do povo tocantinense de ter uma alternativa viável de renovação que parta da democracia, que parta da vontade popular, de ter, não só um governador petista, mas um governador forjado pela consciência democrática e popular já tão maltratada no Tocantins e no Brasil nos últimos tempos.  

 

A convenção foi realizada e um espaço democrático é conquistado, mas a intervenção truculenta vem em seguida, tentando impedir que a decisão da Direção Estadual, referendada pela maioria da militância, que a elegeu, seja levada a diante. Tentam questionar, derrubar mais uma vez a democracia e impor que o PT trilhe o caminho imposto pelos interesses pessoais. Cabe aqui, para encerrar, alguns questionamentos: se a decisão fosse por manter a candidatura própria, será que essa candidatura teria sido de fato protocolada? Será que esse grupo, que tem nome e sobrenome, teria deixado a democracia vencer e assim o Partido dos Trabalhadores buscar a conquista do espaço de poder tão necessário para a resolução das mazelas dos tocantinenses? Adianto-me e respondo. Não, essa caminhada por uma candidatura própria seria questionada e a intervenção aconteceria de forma mais categórica, infelizmente impedindo a caminhada democrática rumo à grande transformação do meu, do seu, do nosso estado do Tocantins. 

 

Continuemos a luta companheiros e companheiras! 


Fábio Coêlho, jornalista, militante dos direitos humanos, LGBT e filiado ao Partido dos Trabalhadores do Tocantins.