Nota: Vacinas para todos já!

Em nota, o Núcleo de Acompanhamento de Políticas Pública e a Comissão Executiva Nacional do PT condenaram o plano de vacinação elaborado pelo governo federal. “O plano não prevê vacinação para todos os brasileiros e brasileiras e sequer aponta para a cobertura vacinal almejada, necessária para proteger vidas e controlar a cadeia de transmissão da Covid-19, diz a nota

O Núcleo de Acompanhamento de Políticas Pública e a Comissão Executiva Nacional do PT divulgaram, nesta quarta-feira (16), uma nota pública condenando o plano de vacinação apresentado pelo governo federal. Segundo a nota, o plano apresenta falhas e deveria ter sido produzido a partir da contribuição técnica de epidemiologistas, imunologistas e pesquisadores do país. A nota aponta que “as etapas de trabalho previstas não foram respeitadas e sequer concluídas, já que não houve o fechamento de um documento final em conjunto com estes especialistas”.

Ainda de acordo com o documento, o plano do Ministério da Saúde “não prevê vacinação para todos os brasileiros e brasileiras e sequer aponta para a cobertura vacinal almejada, necessária para proteger vidas e controlar a cadeia de transmissão da Covid-19

Leia a íntegra da nota abaixo.

Vacinas para todos Já!!!

O engodo do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação  contra a Covid-19 de Bolsonaro

Neste sábado, 12 de dezembro, a Advocacia Geral da União entregou ao STF o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, documento elaborado pelo Ministério da Saúde, dividido em dez eixos, incluem descrições gerais sobre a população alvo para a vacinação, sobre as vacinas já adquiridas pelo governo e as que estão, ainda, em fase de estudos, sobre a operacionalização da imunização, sobre o esquema logístico de distribuição das vacinas pelo país e sobre as estratégias de comunicação para uma campanha nacional.

O Plano Nacional apresentado pelo governo federal ao STF deveria ter sido produzido a partir de um esforço técnico dos epidemiologistas, imunologistas e pesquisadores do país que contribuíram em vários Grupos Técnicos instituídos para sua elaboração. No entanto, as etapas de trabalho previstas não foram respeitadas e sequer concluídas, já que não houve o fechamento de um documento final em conjunto com estes especialistas. Os profissionais vieram inclusive a público denunciar seu desconhecimento em relação ao documento final apresentado.

A versão entregue pelo governo federal sequer pode ser considerada um plano operacional, pois é atemporal, sem definição de prazos e metas.

Entre as principais fragilidades identificadas, podem ser destacadas:

1. Crítica central: o Plano não prevê vacinação para todos os brasileiros e brasileiras e sequer aponta para a cobertura vacinal almejada, necessária para proteger vidas e controlar a cadeia de transmissão da Covid-19;

2. Os segmentos a serem vacinados na primeira fase indicados no documento não garantem cobertura vacinal sequer para os grupos populacionais mais vulneráveis;

3. Não há nenhuma garantia ou qualquer sinalização de que haverá incorporação de todas as vacinas testadas, reconhecidamente eficazes e registradas;

4. O documento não possui lastro técnico e científico necessário para que seja considerado um Plano Nacional, de tamanha envergadura, haja visto a reação dos cientistas que tiveram seu nome a ele associado;

5. Não considera a articulação interfederativa, pois não foi apresentado e submetido à pactuação com os gestores estaduais e municipais, que serão os executores solidários desse plano, e nem aprovado na CIT – Comissão Intergestores Tripartite;

6. Não apresenta uma data para o início da vacinação, que poderia ser contada a partir da data de aprovação da vacina pela Anvisa;

7. Não apresenta um cronograma com metas quantitativas para garantir a cadeia logística de frio, de distribuição de vacinas e de suprimentos básicos que já deveriam ter sido licitados e distribuídos aos estados e municípios;

8. Ignora por razões exclusivamente políticas e/ou ideológicas a vacina que está sendo produzida em parceria pelo Instituto Butantã, de São Paulo , deixando de fora do Plano uma alternativa que poderá se demonstrar viável.
O governo federal, mais uma vez, deixa de cumprir sua responsabilidade constitucional de coordenar as ações de enfrentamento e controle da pandemia da Covid-19.

Enquanto os diversos laboratórios ao redor do mundo comprometem sua capacidade de produção com encomendas já contratadas por outros países, o Brasil vai para o final da fila em função de prazos mais longos conferidos para pedidos mais recentes. Entre os cinco países com maior número de casos e óbitos no mundo, o Brasil será o último a iniciar a vacinação.

Em agosto quando foram iniciadas as tratativas para aquisição e produção de vacina, o governo federal apostou, equivocadamente, todas as suas fichas em um único produtor. Um erro fatal que custará milhares de vida.

O Brasil tem acordo firme apenas com a AstraZeneca/Oxford, que visa o fornecimento de 100,4 milhões de doses e transferência de tecnologia. A AstraZeneca informou que o imunizante tem de 62% a 90% de eficácia na prevenção da Covid-19, mas a fase 3 de testes ainda não está concluída para a produção em escala e início da vacinação, diferentemente de outras vacinas em fase final de testes ou que já foram registradas no Reino Unido e EUA e começaram a ser aplicadas.

Embora tenha aderido ao Instrumento de Acesso Global de Vacinas Covid-19 – CovaxFacility, sob coordenação da OPAS/ OMS, que compreende um pool de produtores, investiu numa cota muito pequena de vacinas que cobrirá apenas 10% da população, quando poderia ter encomendado a quantidade necessária para uma cobertura com prioridade para até 50%.

O governo brasileiro politizou mais uma vez as ações de enfrentamento da pandemia e, por divergência política com o governador de São Paulo, não fez qualquer negociação para aquisição da Coronavac, produzida pela China com transferência tecnológica para o Instituto Butantã.

O argumento de que até o momento não chegou nenhum pedido de registro de vacina à Anvisa se deve ao fato de que, graças a falta de capacidade de coordenação do Ministério da Saúde e do Governo Bolsonaro, não temos ainda vacinas em fase de registro.

Tudo isso demonstra mais um ato do governo que promove insegurança na população, permeado de ilicitudes e mentiras, reforçando a incapacidade de gestão e a falta de vontade política de enfrentar o maior problema sanitário, político, econômico e social da atualidade.

O governo brasileiro está cada vez mais distante de uma solução adequada, justa e eficiente, posto que estamos em meados de dezembro e não há previsão segura sobre qual vacina será disponibilizada à população e nem em qual momento isso se dará. Não há uma estratégia de vacinação universal para todos os brasileiros e brasileiras.
PT, junto com outros partidos de oposição, ingressou com ação no STF pleiteando que o Ministro da Saúde se abstenha de dificultar ou impedir a adoção das medidas necessárias ao prosseguimento das pesquisas.

Foi a ação movida pelo PT e esses partidos que obrigou o Poder Executivo a apresentar quais os planos e o programa do governo federal relativos à vacina e medicamentos contra a Covid19. E o que vimos foi um arremedo, mal feito e sem fundamentação técnica, incapaz de garantir segurança sanitária e de se constituir em um Plano Nacional efetivo de vacinação para a população brasileira.

O PT deve, novamente recorrer ao relator da matéria no STF,ministro Ricardo Lewandovski, para denunciar o ocorrido na apresentação desse planode vacinação fakeproduzido pelo governo Bolsonaro, inclusive para análise do descumprimento da decisão judicial com as devidas consequências diante da fraude no atendimento à ordem e ao prazo estabelecidos pela Corte (ADPF 756).

Fundamental ainda a proposição de uma imprescindível apuração das ilicitudes que envolvem a falsidade ideológica, entre outras, deste Plano Nacional de Vacinação, supostamente elaborado por um grupo de profissionais especialistas, cujos integrantes já se manifestaram publicamente como não tendo conhecimento de tal conteúdo. Até mesmo porque o julgamento da ação, previsto para o dia 17 de dezembro, foi suspenso em virtude do cumprimento da decisão, que agora se mostra insuficiente e ardilosa.

Sendo assim, o NÚCLEO DE ACOMPANHAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS – SAÚDE, do Partido dos Trabalhadores, reitera a seguinte manifestação:

A imunização contra a Covid-19 é um DIREITO DO POVO BRASILEIRO e deve ser garantida pelo SUS.

É uma OBRIGAÇÃO DO GOVERNO FEDERAL coordenar uma estratégia nacional de vacinação e prover as vacinas, seguras e eficazes, que deverão ser aplicadas com base na observância rigorosa de critérios técnicos e científicos, já e para toda a população brasileira.

A disponibilização de vacinas pelo SUS em todo o país deve almejar e garantir a interrupção da cadeia de transmissão, reduzir a mortalidade e/ou a ocorrência de casos graves de Covid-19.

Entendemos que é necessário, mais do que nunca, unir as forças democráticas e diferentes movimentos sociais que se comprometem com a Defesa da Vida em torno da luta pelo direito de todos os brasileiros e brasileiras às vacinas contra a Covid-19 já!

NÚCLEO DE ACOMPANHAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL

PT aciona Augusto Aras para garantir vacinação universal ao povo brasileiro

Senadores do PT entraram com representação junto à Procuradoria Geral da República para apontar erro na estratégia do governo Bolsonaro, apontando que não há segurança de que a imunização contra o Covid-19 será ampla. Bancada teme a violação do direito de toda a população ao acesso universal à vacina contra o novo coronavírus

Agência PT

A bancada do PT no Senado entrou nesta quarta-feira, 9 de dezembro, com representação junto à Procuradoria Geral da República para cobrar que o procurador Augusto Aras apure, acompanhe e determine providências quanto à atuação do Ministério da Saúde. Os senadores questionam as ações adotadas pelo governo para assegurar a vacinação contra o Covid-19. Há um temor de que o governo esteja omisso e não tenha assegurado uma política de imunização universal que assegure cobertura total à população brasileira. 

Os senadores do PT alertam que as medidas anunciadas até agora pelo ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, são preocupantes e não asseguram uma eficaz política de ampla imunização contra o novo coronavírus. Na representação, a bancada é taxativa: “Feitas as contas frente ao contingente populacional do país, a estratégia adotada pelo governo não alcançará a totalidade da população brasileira”.

O Ministério da Saúde divulgou, em reunião técnica, definições preliminares da estratégia de vacinação da população contra p Covid-19. De acordo com a pasta, o processo envolverá quatro etapas e serão alcançados 109,5 milhões de doses, sendo que o esquema vacinal imunizante adotado envolve a aplicação de duas doses. Diante de uma população de 208 milhões de brasileiros, o número de doses da vacina é insuficiente para atender ao conjunto da sociedade brasileira.

Aquisição de vacinas não é global

Os seis senadores petistas – o líder Rogério Carvalho (SE) e mais Humberto Costa (PE), Jean Paul Prates (RN), Jaques Wagner (BA), Paulo Rocha (PA) e (Paulo Paim (RS) – também atentam Augusto Aras para o possível desvio do princípio da integralidade quanto ao fato de que a estratégia do Ministério da Saúde menciona apenas tratativas para aquisição das vacinas da Pfizer e Biontech para o ano de 2021. Não há nenhuma determinação para a aquisição da Coronavac, iniciativa da empresa chinesa Sinovac em conjunto com o Instituto Butantan.

No documento, os senadores do PT ainda apontam a urgência para que os processos de avaliação de uso emergencial de vacinas contra a Covid-19 sejam adotados a fim de assegurar uma logística mínima para aquisição de insumos, o sistema de informações, a definição das estratégias de monitoramento e avaliação da campanha. E, principalmente, estabelecer que a aquisição das vacinas estejam sob a coordenação do Ministério da Saúde como medida para garantir a equidade entre estados.

“O que causa preocupação é que o Ministério da Saúde parece, em tese, não estar a acompanhar o ritmo com que outras nações com contaminação representativa e pujante imprimiram no sentido de assegurar o acesso da sua população à vacina”, diz a representação entregue à PGR. “Por isso, faz-se necessária a atuação fiscalizatória e promotora dos direitos humanos fundamentais”, finaliza a bancada do PT.

Da Redação, com o PT no Senado

Vacina para todos, já!

Em artigo publicado na ‘Folha de S. Paulo’, 11 ex-ministros da Saúde – incluindo os petistas Alexandre Padilha, Arthur Chioro e Humberto Costa, além de José Gomes Temporão – criticam a condução desastrada de Jair Bolsonaro no combate à pandemia do Covid-19. “O país necessita de um plano sólido, abrangente, que contemple todas as vacinas que consigam registro na Anvisa, sem qualquer tipo de discriminação”, apontam

Agência PT

A história da ciência brasileira está profundamente ligada ao processo de pesquisa, desenvolvimento e produção de imunobiológicos e vacinas. Entre os países em desenvolvimento, o Brasil é um dos poucos a dispor hoje de uma base produtiva e tecnológica em vacinas. Dois dos maiores produtores mundiais estão no Brasil: o Instituto Butantan (São Paulo) e o Instituto Bio-Manguinhos, na Fundação Oswaldo Cruz (Rio de Janeiro).

Essa base produtiva e o esforço de ação coordenada do SUS nas três esferas de governo permitiram que o país disponha hoje de um dos melhores e mais abrangentes programas de imunizações do mundo, capaz de garantir altíssima cobertura vacinal e que tem possibilitado a prevenção e o controle de várias doenças. Exemplos recentes são a vacinação da população brasileira, em 2010, contra o H1N1, quando 100 milhões de pessoas foram imunizadas com vacinas produzidas localmente no Instituto Butantan; a erradicação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2010; e a introdução de novas vacinas, como a anti-HPV, em 2014, que nos próximos anos reduzirá drasticamente a mortalidade por câncer de colo uterino.

Contando com a proteção do SUS, um sistema de saúde de caráter universal e com vários centros de P&D (pesquisa e desenvolvimento) voltados para o campo da vacinologia, o Brasil produz em seus laboratórios a maioria das doses utilizadas pelo país em seu programa nacional de vacinação. Se considerado apenas o ano de 2018, nosso programa de imunizações utilizou mais de 300 milhões de doses de vacinas.

Essa capacidade endógena na produção de imunizantes, que reduz nossa dependência do exterior e garante altas coberturas vacinais, foi construída a partir de uma visão estratégica de distintos governos com parcerias de transferência de tecnologia entre laboratórios públicos e empresas multinacionais do setor farmacêutico.

Inovamos também na nossa capacidade logística, que nos permite dispor de milhares de pontos de vacinação em todo o território nacional e de mobilizar milhares de profissionais plenamente capacitados na organização e execução de campanhas de vacinação em massa.

Infelizmente, todo esse acúmulo de competências está sendo colocado em risco pela desastrada e ineficiente condução do Ministério da Saúde em relação à estratégia brasileira de vacinação da população contra a Covid-19.

O país necessita de um plano sólido, abrangente, que contemple todas as vacinas que consigam registro na Anvisa, sem qualquer tipo de discriminação. E que permita, ao longo do ano de 2021, garantir a vacinação para toda a população brasileira, prevenindo o surgimento de doença grave e suas consequências, reduzindo substancialmente a atual pressão sobre nosso sistema de saúde e garantindo o pleno retorno às atividades econômicas e sociais.

 

Alexandre Padilha,  Arthur Chioro, Barjas Negri,  Humberto Costa, José Agenor Álvares da Silva, José Gomes Temporão, José Serra, José Saraiva Felipe, Luiz Henrique Mandetta, Marcelo Castro e Nelson Teich são ex-ministros da Saúde

Anvisa volta atrás e autoriza retomada de testes da vacina. Desmoralizado, Bolsonaro fica chupando dedo

Menos de 48 horas depois de suspender exames clínicos com a Coronavac, agência de vigilância sanitária brasileira diz que medicamento pode ser retomado e recua na decisão, vista como posição política para agradar o líder da extrema-direita. Presidente se desmoraliza perante o Brasil e o mundo, depois que o STF cobrou explicações do governo. O líder Rogério Carvalho volta a criticar o inquilino do Planalto: “Mais uma vez o desrespeito dele à vida fica para a história com a morte de quase 163 mil brasileiros”

Agência PT

O mundo assiste estupefato as idas e vindas do governo brasileiro em meio à crise sanitária do coronavírus. Menos de 48 depois de ter decidido suspender os testes da Coronavac, a vacina contra o Covid-19 desenvolvida empresa indústria farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou atrás e autorizou nesta quarta-feira, 11 de novembro, a retomada dos testes clínicos em larga escala do medicamento.

O presidente Jair Bolsonaro questionou repetidamente a eficácia prospectiva do Coronavac, e em outubro, rejeitou a possibilidade de o governo federal comprar o medicamento. Ele desautorizou o ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, dizendo que os brasileiros não seriam usados como cobaias. Ontem, o presidente comemorou a suspensão da Anvisa, dizendo que isso era uma vitória para ele e apontando em redes sociais: “ Jair Bolsonaro vence novamente”.

A decisão inicial da Anvisa gerou uma enxurrada de denúncias de que a ação era mais política do que científica. O fato de Bolsonaro ter comemorado a decisão da Anvisa, apontando que a decisão era um golpe na vacina chinesa, ganhou repercussão internacional e críticas da oposição. A agência citou um “evento adverso sério” que ocorreu em 29 de outubro como motivo para interromper os testes, mas hoje destacou ter “elementos suficientes para permitir que a vacinação seja retomada”.

A decisão da agência foi adotada menos de 24 horas depois do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, cobrar explicações do governo, atendendo a pedido apresentado pelo Partido dos Trabalhadores e outras legendas da oposição – PSB, PCdoB, Cidadania e PSOL. O relator da arguição de descumprimento de preceito fundamental apresentada pela oposição deu 48 horas para a Anvisa se explicar. Parlamentares do PT criticaram o governo, que parece pouco se importar com o desenrolar da crise sanitária. O Brasil tem mais de 162 mil mortos e 5,6 milhões de pessoas contaminadas, desde o início da pandemia do Covid-19.

Críticas do PT

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), subiu o tom nas críticas a Bolsonaro, exigindo explicações. “Não podemos aceitar politizar uma questão crucial para saúde pública nacional”, reagiu o parlamentar. “Mais uma vez o desrespeito dele à vida fica para a história com a morte de quase 163 mil brasileiros”.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), e outros líderes da legenda apontam que a suspensão dos testes determinada pela Anvisa foi motivada pela desconfiança de Bolsonaro. Ele é um crítico ferrenho da China e promove uma política de alinhamento automático ao governo de Donald Trump. A Anvisa havia tentado apontar que a decisão havia sido baseada em questões técnicas e reclamado informações iniciais suficientes sobre o caso.

O Instituto Butantan anunciou que desde o final de outubro a agência havia sido informado de que um paciente que testava a vacina havia sido encontrado morto. O Instituto Médico Legal de São Paulo disse que há evidências de que o paciente que usava a Coronavac teria se suicidado, mas esclarecendo que o episódio não tem qualquer relação com o uso do medicamento.

Nesta quarta-feira, ao anunciar o recuo e autorizar a retomada dos testes, a agência se justificou dizendo que “continua monitorando a investigação do desfecho do caso para definir a possível relação causal entre o evento inesperado e a vacina”. Mas não especificou que tipo de evento ocorreu. Cerca de 10 mil voluntários estão participando da fase três de testes da candidata Sinovac, uma das várias vacinas potenciais em teste. O Brasil é a segunda nação com maior número de mortes pelo Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos.

As interrupções temporárias de testes de drogas e vacinas são relativamente comuns; em pesquisas envolvendo milhares de participantes, alguns provavelmente ficarão doentes. Pausar um estudo permite que os pesquisadores investiguem se uma doença é um efeito colateral ou uma coincidência. No mês passado, duas farmacêuticas retomaram os testes de suas possíveis vacinas contra o coronavírus nos Estados Unidos depois que foram suspensas anteriormente.

Da Redação PT Nacional

Mortes por Covid-19 voltam a subir enquanto Bolsonaro mente na ONU

Enquanto presidente acusa imprensa de politizar pandemia, critica governadores e enaltece a atuação desastrosa do governo com fake news sobre auxílio emergencial, o Brasil voltou a registrar alta na média de óbitos e infecções por Covid-19. Nesta terça-feira (22), país atingiu marca de 137.445 mil mortes e mais 4,5 milhões de infecções confirmadas. “Bolsonaro reinventou as fake news”, reagiu o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ídolo de Bolsonaro, Trump cobra da ONU uma responsabilização da China pela pandemia no mesmo dia em que os EUA ultrapassam marca de 200 mil vítimas fatais por coronavírus

Longe de um quadro de controle da pandemia, o Brasil voltou a registrar alta na média de óbitos e infecções por Covid-19, após mais de um mês com queda no índice. Ignorando mais uma vez a gravidade da crise, o maior responsável pela tragédia brasileira, o presidente Jair Bolsonaro mentiu descaradamente ao discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22). Em fala recheada de fake news, Bolsonaro acusou a imprensa de “politizar” a pandemia, criticou governadores e alardeou um auxílio fictício de U$ 1.000 à população. Nas palavras de Bolsonaro, o governo evitou um “mal maior”.

“Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, esquivou-se Bolsonaro. “‘Sob o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social ao país. Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior”, disse, esquecendo-se de mencionar que ele e o ministro da Economia queriam pagar R$ 200, e que o PT e a oposição garantiram no Congresso o valor de R$ 600 pagos à população, antes de Bolsonaro cortar o auxílio pela metade.

O discurso mentiroso do presidente gerou reações indignadas de organizações da sociedade civil. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, acusou o presidente de reinventar as fake news típicas de seus apoiadores.

“Bolsonaro reinventou as fake news”, afirmou Felipe Santa Cruz, em sua conta pelo twitter. “Até então as notícias falsas eram plantadas anonimamente para repercutirem sem lastro e disseminarem a desinformação. Na Assembleia Geral da ONU, nosso presidente sustentou vergonhosamente um discurso com média de uma fake news por parágrafo”, lamentou o presidente da OAB.

Já a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que Bolsonaro e a  verdade não cabem no mesmo discurso. “Culpar justiça e governadores pela pandemia, indígenas por desmatamento e calor por incêndio no pantanal é total falta de caráter”, criticou Gleisi. “Voltou a lamber botas de Trump. O Brasil não merece mais este vexame internacional”, observou.

Negacionismo

De fato, em seu discurso, Bolsonaro voltou a exibir o negacionismo responsável pelo caos institucional e sanitário no Brasil, causando milhares de mortes. Sua afirmação de que alertou o país sobre a necessidade de tratar o vírus e o desemprego com a mesma responsabilidade simplesmente não encontra eco na realidade. Ao contrário, desde março, seu comportamento de constante desrespeito às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) confundiu a população, ajudando a imprimir, no imaginário popular, uma falsa sensação de normalidade e segurança.

“Mais um vexame internacional”, destacou o líder da bancada do PT no Senado Federal, Rogério Carvalho (SE).  “O Brasil perdeu uma grande oportunidade assumir compromissos que tranquilizassem a comunidade internacional e os grandes investidores”, advertiu Carvalho. “Na ONU, Bolsonaro fez a única coisa que sabe fazer: MENTIR!”, afirmou.

Para o líder da Bancada do PT na Câmara, deputado  Enio Verri (PT-PR), o discurso de Bolsonaro foi uma “vergonha”. “O pronunciamento de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi no nível de sua microscópica estatura e alinhado à sua ideologia de vira-latas. O presidente colocou o Brasil em 2º plano, como se fosse um quintal do mundo, onde a população é de segunda classe. Vergonha”, destacou.

Aglomerações e mortes

Não à toa, o país viu um novo aumento de aglomerações em praias, bares e restaurantes no mês de setembro. Agora, paga-se a conta do afrouxamento da população no combate ao vírus. De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, o Brasil atingiu a marca de 137.445 mil mortes e 4,5 milhões de infecções confirmadas nesta terça-feira (22).

A média móvel de mortes variou 8% para cima em 15 dias, ficando em 748 mortes. Já o número de novos casos também mantém tendência de alta de 30 mil, em média. Além disso, cinco estados apresentam alta de mortes. A média de infecções, que estava em 27,3 mil novos casos em 10 de setembro, voltou a subir a partir do dia 16, quando o país bateu 31 mil novos registros. Ou seja, tudo o que Bolsonaro fez não foi “evitar um mal maior”.

200 mil mortos

Na mesma Assembleia onde Bolsonaro envergonhou o país perante o mundo, seu ídolo americano, Donald Trump, promoveu ataques ao multilateralismo que caracteriza a história de 75 anos das Nações Unidas. Em tom belicoso, Trump cobrou da entidade uma responsabilização da China pela pandemia. Os ataques ocorrem no mesmo dia em que os EUA ultrapassaram a triste marca de 200 mil vítimas fatais por coronavírus.

“O governo chinês e a Organização Mundial da Saúde, que é controlada pela China, falsamente declararam que não havia evidência de transmissão entre humanos”, atacou. “Depois, afirmaram falsamente que as pessoas sem sintomas não poderiam espalhar a doença. A ONU precisa responsabilizar a China pelas suas ações”, disse. Ele voltou a chamar o coronavírus de “vírus chinês”.

Ignorando a primeira colocação dos EUA em mortos no ranking mundial da pandemia, Trump destacou os resultados de uma campanha nacional contra o vírus. “Nos EUA, nós lançamos a mais agressiva mobilização desde a Segunda Guerra”, afirmou. “Rapidamente, produzimos um número recorde de ventiladores: criamos um excesso que nos permitiu compartilhar com os amigos e parceiros. Nós fomos os pioneiros em tratamentos para salvar vidas, reduzindo a taxa de fatalidade em 85% desde abril”, gabou-se Trump.

Com 204,9 mil mortos no colo e 7 milhões de casos da doença, que continua avançando, o presidente terá muito a explicar ao eleitor nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

Da Redação PT Nacional, com PT na Câmara, PT no Senado e agência de notícias

Vírus da dengue pode gerar proteção contra Covid-19, sugere estudo

Estudo conduzido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, divulgado com exclusividade pela agência de notícias ‘Reuters’,  aponta uma correlação entre dengue e coronavírus que pode levar a uma possível imunização contra ação da Covid-19. “Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, observa o estudo.

Miguel Nicolelis: infecção ou imunização para dengue pode produzir proteção contra Covid-19.  Foto: Deivyson Teixeira

Um estudo conduzido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, divulgado com exclusividade pela agência de notícias ‘Reuters’,  sugere que uma correlação entre dengue e coronavírus pode levar a uma possível imunização contra a ação da Covid-19. O estudo liderado por Nicolelis, que é coordenador do Comitê Científico Consórcio do Nordeste, constatou que regiões com maior incidência de infecções por dengue na população apresentaram, inversamente, menos casos e mortes por coronavírus em um mesmo período. Os resultados indicam uma possível “interação imunológica” entre os dois vírus.

“Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, aponta o estudo.

De acordo com Nicolelis, há evidências de que pessoas que já tiveram dengue e que também testaram positivo para Covid-19 não desenvolveram a doença, o que sugere a produção de anticorpo eficaz para os dois vírus. “Isso indica que existe uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes”, afirmou Nicolelis, em entrevista à ‘Reuters’.

Os pesquisadores perceberam a correlação ao estudar a propagação do coronavírus no país, sobretudo pelas rodovias brasileiras. Os casos de dengue no Brasil em 2019 e 2020 ocupavam as áreas com menor incidência de Covid-19. “Fui olhar no Ministério da Saúde se tinha alguma explicação para essas coisas estranhas, se tinham outros indicadores de doenças que eu não estava percebendo, e de repente encontro o mapa de dengue de 2020 do Brasil”, espantou-se Nicolelis.

“Eu peguei o mapa de casos de coronavírus e coloquei lado a lado com o mapa de dengue, e encontrei o que a gente chama de distribuição complementar: regiões com pouco coronavírus estão cheias de dengue”, explicou o cientista. Ele ressalta, no entanto, que a pesquisa é um estudo epidemiológico e testes sorológicos ainda não foram realizados.

Queda de casos de dengue x coronavírus

A queda incomum de casos de dengue, em março, também chamou a atenção dos pesquisadores. Isso porque o ano havia começado com alta incidência da doença. “Os nossos resultados epidemiológicos sugerem a hipótese, que ainda precisa ser testada amplamente, que o SARS-CoV-2 compete com o vírus da dengue pelas mesmas pessoas, pelo mesmo pool de suscetíveis”, explicou o pesquisador. “Como o SARS-CoV-2 é transmitido homem-homem, ele teria uma grande vantagem para ganhar esta competição, em relação à dengue, que depende de um mosquito”, observou Nicolelis.

A equipe também acompanhou a disseminação das duas doenças em 15 países da América Latina e constatou o mesmo fenômeno de correspondência entre os vírus. “Quanto mais casos de dengue um país teve durante a epidemia mundial de dengue em 2019 e nos primeiros meses de 2020, menos casos de Covid-19 o país registrou até julho de 2020”, aponta o estudo. “Basicamente, isso foi muito similar aos resultados obtidos usando dados para os Estados brasileiros”.

Após a conclusão do estudo, Miguel Nicolelis destaca que é preciso avançar nos estudos e testes. “Evidentemente que este é um estudo preliminar do ponto de vista do que fazer, mas ele abre uma porta que pode ser rapidamente explorada, e se ela for verdadeira, você pode ter um grau de proteção para coronavírus se você teve dengue ou se você é imunizado para dengue”, afirmou Nicolelis.

“Eu não sei dizer qual é a porcentagem, mas ela é suficiente para aparecer nesses gráficos. Alguma coisa existe”, afirmou.

Da Redação PT Nacional, com ‘Reuters’