Assassinato de Marielle completa mil dias sem respostas

Vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes foram assassinatos em 14 de março de 2018. O caso segue até hoje sem respostas das autoridades. Os responsáveis pelo crime sequer foram presos.

O assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes completa mil dias nesta terça-feira (8). Eles foram mortos na noite de 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. O caso segue sem respostase, até o momento, os responsáveis não foram presos. Marielle e Anderson sofreram uma emboscada na Rua Joaquim Palhares, bairro do Estácio, região central da capital fluminense. O carro em que estavam foi abordado por outro veículo e alvejado por vários disparos, que atingiram a vereadora e o motorista.

Nos últimos dias, novas pistas surgiram na montagem do quebra-cabeça. Na emboscada, foi usado um Chevrolet Cobalt clonado e os investigadores descobriram que Eduardo Almeida Nunes de Siqueira, morador da Muzema, favela dominada pela milícia, clonou um veículo do mesmo modelo, entre janeiro e fevereiro de 2018. Além disso, outro fato que chama a atenção é que o advogado Bruno Castro, que representa Siqueira, é o mesmo que atua para o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, acusado de executar Marielle e Anderson.

O jornal O Globo mostra que, em depoimento prestado à Delegacia de Homicídios (DH), em 2018, Siqueira disse que clonou um carro igual ao usado no crime, mas as afirmações “foram esquecidas no processo”. Eduardo “não sabia informar” se o carro havia sido utilizado no assassinato, mas viu grande semelhanças com o veículo que clonou.

Suspeitos do caso

A polícia do Rio segue outras linhas de investigação. Uma das versões acreditam que o ex-bombeiro, ex-vereador e miliciano Cristiano Girão ordenou a morte de Marielle, com o objetivo de se vingar do deputado federal Marcelo Freixo (Psol). Girão era um dos nomes na lista da CPI das Milícias, em 2008, presidida por Freixo. O miliciano ficou preso até 2017, um ano antes do crime.

O ex-bombeiro diz que possui um álibi, mas o Ministério Público solicitou ao Google o fornecimento da localização de Girão no momento do crime. O MP aguarda o julgamento de três recursos extraordinários no Supremo Tribunal Federal (STF). O Google recorreu da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou o fornecimento de informações às autoridades fluminenses.

Em março de 2019, Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46, foram presos. A força-tarefa que levou à Operação Lume diz que eles participaram dos assassinatos de Marielle e Anderson. Segundo as autoridades, Lessa efetuou os 13 disparos, enquanto Élcio dirigia o Cobalt.

Mil dias sem Marielle

Para marcar a data de mil dias sem Marielle Franco, organizações da sociedade, movimentos sociais e o Psol estão convocando a realização de atos simbólicos. No Rio de Janeiro e em outros locais, serão realizados atividades de “Amanhecer por Marielle”.

No texto de convocação, o Psol diz: “Nas ruas, amanheça o dia 8 vestindo Marielle ou qualquer imagem que possa celebrar sua vida e exigir respostas. Em sua janela, coloque um cartaz ou uma fita lilás. De forma segura, reúna vizinhas, amigas e familiares para ações rápidas de intervenção nas praças do seu bairro”.

Recentemente, também foi lançado o primeiro livro-reportagem sobre o assassinato da Marielle Franco e do motorista. Com o título Mataram Marielle, os jornalistas de O Globo Chico Otavio e Vera Araújo analisam os bastidores da investigação mal conduzida.

O livro não traz os nomes dos responsáveis pelo crime, mas aborda os bastidores da investigação policial descrita “como quase amadora”, o que ocasionou uma série de erros primários e desperdício de provas — como imagens potencialmente reveladoras, como descreve a Folha de S.Paulo.

Da Rede Brasil Atual

PT repudia assassinato de trabalhador negro em Porto Alegre, vítima de seguranças do Carrefour

Líderes políticos da luta anti-racista no Brasil, como Paulo Paim e Benedita da Silva, lamentam a morte violenta de homem negro, espancado até a morte na porta do supermercado. “O racismo é a origem de todos os abismos desse país”, alerta Lula. “Dia da Consciência Negra é, assim, dia de luto e de luta”, adverte Dilma. Gleisi lembra que, nesta semana, a vereadora petista Ana Lúcia Martins, eleita em Joinville, foi vítima do racismo pela cor da pele e ameaçada de morte

Site do PT/@CRISVECTOR

O Brasil amanheceu em choque, nesta sexta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, com a notícia do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um trabalhador negro espancado até a morte na entrada de um supermercado do Carrefour, em Porto Alegre, por seguranças. Diante do silêncio cúmplice do Palácio do Planalto, líderes petistas manifestaram repúdio ao bárbaro crime, que começou a ganhar repercussão internacional, e alertaram que o país está mergulhado numa crise social sem precedentes. Petistas históricos, como o senador Paulo Paim (PT-RS) e Benedita da Silva (PT-RJ), mostraram-se estarrecidos e envergonhados pelo exemplo de violência racial.

“Repudio veementemente mais um ato covarde e criminoso contra pessoa negra”, disse Paim, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal. “Assisti com tristeza e indignação mais uma vez atos de intolerância e de discriminação racial ocorridos contra um homem negro, na capital do meu Estado, Porto Alegre”, lamentou o senador. “Vidas negras importam. Todas as vidas importam”, destacou.

Cenas da barbárie no Brasil. Seguranças do Carrefour imobilizaram e espancaram até a morte o trabalhador negro João Alberto Silveira Freitas, 40 anos. Episódio ocorreu na noite de quinta-feira em Porto Alegre / Reprodução

“Nós não temos um dia de paz e tranquilidade”, criticou Benedita da Silva, ainda ontem à noite, quando soube do crime. “Os nossos corpos são alvos de violência a todo momento. Que não apenas no dia 20 de novembro seja lembrado que vidas negras importam, mas sempre”, ressaltou. Ela também lamentou o assassinato da candidata do PT à Prefeitura de Curralinho (PA), a ativista e militante política Leila Arruda, assassinada pelo ex-marido.

“Todos os dias, o racismo e o machismo assassinam centenas de João e centenas de Leila em nosso país”, disse Benedita, “Esses dois brutais assassinatos são retrato de um Brasil governado à luz do fascismo. Não podemos mais conviver com estas realidades. Precisamos ir à luta!”, desabafou a deputada federal. Ela ressaltou a realização do ato de repúdio ao atual presidente da Fundação Palmares, Sergio Camargo Nascimento. “Por razões ideológicas, ele ataca heróis negros do povo brasileiro e até o Dia da Consciência Negra – Dia de Zumbi dos Palmares. Ele nunca nos representará”, declarou.   

Lula e Dilma também rechaçam episódio

“O racismo é a origem de todos os abismos desse país. É urgente interrompermos esse ciclo”, alertou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ex-presidenta Dilma Rousseff declarou que o crime é revoltante e mostra a persistência da violência escravocrata no Brasil. “A história de nosso país está manchada por 350 anos de escravidão e mais 170 anos de violência racista, exclusão da cidadania e profunda desigualdade impostas à majoritária população de negras e negros”, advertiu. “O Dia da Consciência Negra é, assim, dia de luto e de luta”.

Dilma declarou que só haverá paz e democracia plena no Brasil quando o racismo estrutural for enfrentado, punido e destruído. “A sociedade precisa aprender que não basta não ser racista, é preciso ser antirracista e lutar contra todas as formas de discriminação”, ressaltou. A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann também repudiou o crime e denunciou que o país precisa combater a discriminação racial. “Combater o racismo é condição para construir uma sociedade justa e igualitária. Vidas negras importam sim. Não pode ser só discurso. Quantas vidas mais serão perdidas?”, questionou.

É chocante que no Dia da Consciência Negra, quando lamentamos a morte brutal de João Alberto Freitas no Carrefour por racismo, o chefe da Nação ignora o fato e ainda debocha da comunidade negra”, escreveu Gleisi, em sua conta no Twitter. “Até hoje me pergunto o que esse homem tá fazendo na Presidência da República?”.

O assassinato de Freitas em Porto Alegre não é caso isolado de racismo estrutural no país. No começo da semana, a vereadora petista Ana Lúcia Martins, a primeira negra eleita no município de Joinville, em Santa Catarina, sofreu ameaças de morte e ataques racistas desde a proclamação de sua vitória nas urnas, confirmada no último domingo, 15 de novembro. O episódio ocorreu diante da constatação do crescimento de mandatos de mulheres, jovens, negros e negras e LGBTs em todo o país. O PT pediu a abertura de uma investigação pela polícia de Santa Catarina para apurar o caso e punir os agressores.

Repercussão internacional: Reportagem da Associated Press, distribuída em todo o mundo destaca o assassinato de João Alberto Silveira Freitas em Porto Alegre. / Reprodução

Repercussão internacional

Nas agências internacionais de notícias, o assassinato de João Alberto Silveira Freitas repercutiu no início da tarde. A Associated Press destacou – com reprodução imediata em jornais influentes como o Washington Post – o brutal assassinato. “Morte na véspera do Dia da Consciência Negra no Brasil desperta fúria”, destaca a AP, no título da reportagem, lembrando ainda que o episódio não é isolado e que o supermercado Carrefour já havia protagonizado outras cenas polêmicas.

Na Reuters, o destaque dado pela agência é que o homem negro foi “espancado até a morte por seguranças da loja do Carrefour”, no Brasil. Diz a agência: “Os brasileiros gostam de pensar em seu país como uma democracia racial e o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro nega a presença de racismo. Mas a influência da escravidão abolida em 1899 ainda é evidente”.

Da Redação PT Nacional, com agências de notícias