Mortes por Covid-19 voltam a subir enquanto Bolsonaro mente na ONU

Enquanto presidente acusa imprensa de politizar pandemia, critica governadores e enaltece a atuação desastrosa do governo com fake news sobre auxílio emergencial, o Brasil voltou a registrar alta na média de óbitos e infecções por Covid-19. Nesta terça-feira (22), país atingiu marca de 137.445 mil mortes e mais 4,5 milhões de infecções confirmadas. “Bolsonaro reinventou as fake news”, reagiu o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ídolo de Bolsonaro, Trump cobra da ONU uma responsabilização da China pela pandemia no mesmo dia em que os EUA ultrapassam marca de 200 mil vítimas fatais por coronavírus

Longe de um quadro de controle da pandemia, o Brasil voltou a registrar alta na média de óbitos e infecções por Covid-19, após mais de um mês com queda no índice. Ignorando mais uma vez a gravidade da crise, o maior responsável pela tragédia brasileira, o presidente Jair Bolsonaro mentiu descaradamente ao discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22). Em fala recheada de fake news, Bolsonaro acusou a imprensa de “politizar” a pandemia, criticou governadores e alardeou um auxílio fictício de U$ 1.000 à população. Nas palavras de Bolsonaro, o governo evitou um “mal maior”.

“Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, esquivou-se Bolsonaro. “‘Sob o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social ao país. Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior”, disse, esquecendo-se de mencionar que ele e o ministro da Economia queriam pagar R$ 200, e que o PT e a oposição garantiram no Congresso o valor de R$ 600 pagos à população, antes de Bolsonaro cortar o auxílio pela metade.

O discurso mentiroso do presidente gerou reações indignadas de organizações da sociedade civil. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, acusou o presidente de reinventar as fake news típicas de seus apoiadores.

“Bolsonaro reinventou as fake news”, afirmou Felipe Santa Cruz, em sua conta pelo twitter. “Até então as notícias falsas eram plantadas anonimamente para repercutirem sem lastro e disseminarem a desinformação. Na Assembleia Geral da ONU, nosso presidente sustentou vergonhosamente um discurso com média de uma fake news por parágrafo”, lamentou o presidente da OAB.

Já a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que Bolsonaro e a  verdade não cabem no mesmo discurso. “Culpar justiça e governadores pela pandemia, indígenas por desmatamento e calor por incêndio no pantanal é total falta de caráter”, criticou Gleisi. “Voltou a lamber botas de Trump. O Brasil não merece mais este vexame internacional”, observou.

Negacionismo

De fato, em seu discurso, Bolsonaro voltou a exibir o negacionismo responsável pelo caos institucional e sanitário no Brasil, causando milhares de mortes. Sua afirmação de que alertou o país sobre a necessidade de tratar o vírus e o desemprego com a mesma responsabilidade simplesmente não encontra eco na realidade. Ao contrário, desde março, seu comportamento de constante desrespeito às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) confundiu a população, ajudando a imprimir, no imaginário popular, uma falsa sensação de normalidade e segurança.

“Mais um vexame internacional”, destacou o líder da bancada do PT no Senado Federal, Rogério Carvalho (SE).  “O Brasil perdeu uma grande oportunidade assumir compromissos que tranquilizassem a comunidade internacional e os grandes investidores”, advertiu Carvalho. “Na ONU, Bolsonaro fez a única coisa que sabe fazer: MENTIR!”, afirmou.

Para o líder da Bancada do PT na Câmara, deputado  Enio Verri (PT-PR), o discurso de Bolsonaro foi uma “vergonha”. “O pronunciamento de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi no nível de sua microscópica estatura e alinhado à sua ideologia de vira-latas. O presidente colocou o Brasil em 2º plano, como se fosse um quintal do mundo, onde a população é de segunda classe. Vergonha”, destacou.

Aglomerações e mortes

Não à toa, o país viu um novo aumento de aglomerações em praias, bares e restaurantes no mês de setembro. Agora, paga-se a conta do afrouxamento da população no combate ao vírus. De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, o Brasil atingiu a marca de 137.445 mil mortes e 4,5 milhões de infecções confirmadas nesta terça-feira (22).

A média móvel de mortes variou 8% para cima em 15 dias, ficando em 748 mortes. Já o número de novos casos também mantém tendência de alta de 30 mil, em média. Além disso, cinco estados apresentam alta de mortes. A média de infecções, que estava em 27,3 mil novos casos em 10 de setembro, voltou a subir a partir do dia 16, quando o país bateu 31 mil novos registros. Ou seja, tudo o que Bolsonaro fez não foi “evitar um mal maior”.

200 mil mortos

Na mesma Assembleia onde Bolsonaro envergonhou o país perante o mundo, seu ídolo americano, Donald Trump, promoveu ataques ao multilateralismo que caracteriza a história de 75 anos das Nações Unidas. Em tom belicoso, Trump cobrou da entidade uma responsabilização da China pela pandemia. Os ataques ocorrem no mesmo dia em que os EUA ultrapassaram a triste marca de 200 mil vítimas fatais por coronavírus.

“O governo chinês e a Organização Mundial da Saúde, que é controlada pela China, falsamente declararam que não havia evidência de transmissão entre humanos”, atacou. “Depois, afirmaram falsamente que as pessoas sem sintomas não poderiam espalhar a doença. A ONU precisa responsabilizar a China pelas suas ações”, disse. Ele voltou a chamar o coronavírus de “vírus chinês”.

Ignorando a primeira colocação dos EUA em mortos no ranking mundial da pandemia, Trump destacou os resultados de uma campanha nacional contra o vírus. “Nos EUA, nós lançamos a mais agressiva mobilização desde a Segunda Guerra”, afirmou. “Rapidamente, produzimos um número recorde de ventiladores: criamos um excesso que nos permitiu compartilhar com os amigos e parceiros. Nós fomos os pioneiros em tratamentos para salvar vidas, reduzindo a taxa de fatalidade em 85% desde abril”, gabou-se Trump.

Com 204,9 mil mortos no colo e 7 milhões de casos da doença, que continua avançando, o presidente terá muito a explicar ao eleitor nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

Da Redação PT Nacional, com PT na Câmara, PT no Senado e agência de notícias

Vírus da dengue pode gerar proteção contra Covid-19, sugere estudo

Estudo conduzido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, divulgado com exclusividade pela agência de notícias ‘Reuters’,  aponta uma correlação entre dengue e coronavírus que pode levar a uma possível imunização contra ação da Covid-19. “Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, observa o estudo.

Miguel Nicolelis: infecção ou imunização para dengue pode produzir proteção contra Covid-19.  Foto: Deivyson Teixeira

Um estudo conduzido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, divulgado com exclusividade pela agência de notícias ‘Reuters’,  sugere que uma correlação entre dengue e coronavírus pode levar a uma possível imunização contra a ação da Covid-19. O estudo liderado por Nicolelis, que é coordenador do Comitê Científico Consórcio do Nordeste, constatou que regiões com maior incidência de infecções por dengue na população apresentaram, inversamente, menos casos e mortes por coronavírus em um mesmo período. Os resultados indicam uma possível “interação imunológica” entre os dois vírus.

“Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, aponta o estudo.

De acordo com Nicolelis, há evidências de que pessoas que já tiveram dengue e que também testaram positivo para Covid-19 não desenvolveram a doença, o que sugere a produção de anticorpo eficaz para os dois vírus. “Isso indica que existe uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes”, afirmou Nicolelis, em entrevista à ‘Reuters’.

Os pesquisadores perceberam a correlação ao estudar a propagação do coronavírus no país, sobretudo pelas rodovias brasileiras. Os casos de dengue no Brasil em 2019 e 2020 ocupavam as áreas com menor incidência de Covid-19. “Fui olhar no Ministério da Saúde se tinha alguma explicação para essas coisas estranhas, se tinham outros indicadores de doenças que eu não estava percebendo, e de repente encontro o mapa de dengue de 2020 do Brasil”, espantou-se Nicolelis.

“Eu peguei o mapa de casos de coronavírus e coloquei lado a lado com o mapa de dengue, e encontrei o que a gente chama de distribuição complementar: regiões com pouco coronavírus estão cheias de dengue”, explicou o cientista. Ele ressalta, no entanto, que a pesquisa é um estudo epidemiológico e testes sorológicos ainda não foram realizados.

Queda de casos de dengue x coronavírus

A queda incomum de casos de dengue, em março, também chamou a atenção dos pesquisadores. Isso porque o ano havia começado com alta incidência da doença. “Os nossos resultados epidemiológicos sugerem a hipótese, que ainda precisa ser testada amplamente, que o SARS-CoV-2 compete com o vírus da dengue pelas mesmas pessoas, pelo mesmo pool de suscetíveis”, explicou o pesquisador. “Como o SARS-CoV-2 é transmitido homem-homem, ele teria uma grande vantagem para ganhar esta competição, em relação à dengue, que depende de um mosquito”, observou Nicolelis.

A equipe também acompanhou a disseminação das duas doenças em 15 países da América Latina e constatou o mesmo fenômeno de correspondência entre os vírus. “Quanto mais casos de dengue um país teve durante a epidemia mundial de dengue em 2019 e nos primeiros meses de 2020, menos casos de Covid-19 o país registrou até julho de 2020”, aponta o estudo. “Basicamente, isso foi muito similar aos resultados obtidos usando dados para os Estados brasileiros”.

Após a conclusão do estudo, Miguel Nicolelis destaca que é preciso avançar nos estudos e testes. “Evidentemente que este é um estudo preliminar do ponto de vista do que fazer, mas ele abre uma porta que pode ser rapidamente explorada, e se ela for verdadeira, você pode ter um grau de proteção para coronavírus se você teve dengue ou se você é imunizado para dengue”, afirmou Nicolelis.

“Eu não sei dizer qual é a porcentagem, mas ela é suficiente para aparecer nesses gráficos. Alguma coisa existe”, afirmou.

Da Redação PT Nacional, com ‘Reuters’