Lula: “É intolerável a desigualdade. O sonho de mudança é o que nos move ao futuro”

Em seminário transmitido pela internet, realizado em parceria com as Nações Unidas, o ex-presidente da República diz que as sociedades precisam definir que mundo vamos querer depois da pandemia. “Depende de nós acender a luz nas trevas”, lembrou. O evento “Educação e as Sociedades que Queremos” contou com outros convidados eminentes, como o Nobel da Paz Kailash Satyarthi. “O atual governo de meu país é inimigo declarado da ciência, da cultura, da própria educação”, lamentou

Lula: “Por mais profundas que sejam as crises, por mais escuro que faça, depende de nós acender a luz nas trevas. E creio que nunca foi tão necessário sonhar e seguir lutando para construir um mundo melhor do que este em que vivemos.”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira, 24 de setembro, que a pandemia está levando o mundo a rediscutir o papel do Estado para reduzir as desigualdades crescentes e colocar as pessoas no centro das políticas públicas. Ao participar do webinário “ Educação e as Sociedades Que Queremos”, realizado em parceria com o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos e o Instituto Lula, falou da importância de Paulo Freire para o ensino brasileiro e que é preciso pensar o futuro que queremos na saída da pandemia do Covid-19.

“O dogma do Estado mínimo é apenas isso, um dogma, algo que não encontra explicação nem se justifica na vida real”, disse. “A imensa desigualdade entre seres humanos é simplesmente intolerável. Nunca foi tão necessário sonhar e seguir lutando para construir um mundo melhor do que este em que vivemos”. Também participaram do seminário o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, o indiano Kailash Satyarthi, e a relatora da ONU para o Direito à Educação, Koumbou Boly Barry. A secretária executiva da Parceria Global para a Educação, Alice Albright, também estava no evento.

Lula foi chamado a falar das políticas públicas e da experiência brasileira durante seu governo. Ele listou os avanços da educação nos 13 anos de governos PT, ressaltando como foram construídas as políticas de inclusão e de acesso à universidade para camadas da população brasileira historicamente excluídas e os resultados. A mensagem foi de esperança, apesar dos retrocessos promovidos por governos de extrema-direita no Brasil e no mundo. “Depende de nós acender a luz nas trevas”, destacou.“A imensa desigualdade entre seres humanos é simplesmente intolerável, mas enquanto ela perdurar haverá também o sonho de mudança que nos move para o futuro”.

Lula disse (a íntegra do discurso pode ser lida aqui) que pensadores e personalidades influentes no mundo, como o Papa Francisco, estão preocupados com a crescente desigualdade e o mal-estar na humanidade, em que o dinheiro passou a ter mais importância que as pessoas. “O mito do deus mercado é apenas um mito, pois uma vez mais ele se revela incapaz de oferecer respostas para os problemas do mundo em que vivemos”, disse o ex-presidente. “Qualquer discussão sobre o futuro da humanidade, sobre a sociedade que queremos construir, tem de levar em conta os impactos da pandemia atual, que veio agravar a situação de extrema desigualdade social e econômica no mundo” .

A transmissão do seminário faz parte da iniciativa “Sociedades que queremos”, coordenada pela Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura (ICESCO), com o objetivo de disseminar conhecimento e implementar programas inovadores. O ex-ministro da Educação e conselheiro do Instituto Lula, Fernando Haddad, também participou. Ele tratou de “Políticas e Mecanismos para garantir uma educação de qualidade, igualitária e inclusiva para todos”, que reuniu ministros de sete países.

Lula lembrou de Paulo Freire, que foi um dos fundadores do PT. “Das muitas lições que nos deixou, duas são frequentemente destacadas. A primeira é a noção de que aquele que educa também está sendo educado”, lembrou. “É um conceito que só poderia ser formulado por quem tinha a grandeza de respeitar a sabedoria dos humildes e reconhecer a existência do outro, acima das barreiras sociais e preconceitos”.

“A segunda lição é a de que a Educação é libertadora no mais amplo sentido que pode ter a palavra liberdade”, comentou. “Na sociedade e na região em que nascemos, marcada pelo latifúndio, a herança da escravidão, a brutalidade dos ricos contra os pobres, a fome e a desigualdade, o simples ato de aprender a ler e escrever era uma rara conquista para alguém do povo”.

Da Redação PT Nacional

Mortes por Covid-19 voltam a subir enquanto Bolsonaro mente na ONU

Enquanto presidente acusa imprensa de politizar pandemia, critica governadores e enaltece a atuação desastrosa do governo com fake news sobre auxílio emergencial, o Brasil voltou a registrar alta na média de óbitos e infecções por Covid-19. Nesta terça-feira (22), país atingiu marca de 137.445 mil mortes e mais 4,5 milhões de infecções confirmadas. “Bolsonaro reinventou as fake news”, reagiu o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ídolo de Bolsonaro, Trump cobra da ONU uma responsabilização da China pela pandemia no mesmo dia em que os EUA ultrapassam marca de 200 mil vítimas fatais por coronavírus

Longe de um quadro de controle da pandemia, o Brasil voltou a registrar alta na média de óbitos e infecções por Covid-19, após mais de um mês com queda no índice. Ignorando mais uma vez a gravidade da crise, o maior responsável pela tragédia brasileira, o presidente Jair Bolsonaro mentiu descaradamente ao discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22). Em fala recheada de fake news, Bolsonaro acusou a imprensa de “politizar” a pandemia, criticou governadores e alardeou um auxílio fictício de U$ 1.000 à população. Nas palavras de Bolsonaro, o governo evitou um “mal maior”.

“Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, esquivou-se Bolsonaro. “‘Sob o lema ‘fique em casa’ e ‘a economia a gente vê depois’, quase trouxeram o caos social ao país. Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior”, disse, esquecendo-se de mencionar que ele e o ministro da Economia queriam pagar R$ 200, e que o PT e a oposição garantiram no Congresso o valor de R$ 600 pagos à população, antes de Bolsonaro cortar o auxílio pela metade.

O discurso mentiroso do presidente gerou reações indignadas de organizações da sociedade civil. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo, acusou o presidente de reinventar as fake news típicas de seus apoiadores.

“Bolsonaro reinventou as fake news”, afirmou Felipe Santa Cruz, em sua conta pelo twitter. “Até então as notícias falsas eram plantadas anonimamente para repercutirem sem lastro e disseminarem a desinformação. Na Assembleia Geral da ONU, nosso presidente sustentou vergonhosamente um discurso com média de uma fake news por parágrafo”, lamentou o presidente da OAB.

Já a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que Bolsonaro e a  verdade não cabem no mesmo discurso. “Culpar justiça e governadores pela pandemia, indígenas por desmatamento e calor por incêndio no pantanal é total falta de caráter”, criticou Gleisi. “Voltou a lamber botas de Trump. O Brasil não merece mais este vexame internacional”, observou.

Negacionismo

De fato, em seu discurso, Bolsonaro voltou a exibir o negacionismo responsável pelo caos institucional e sanitário no Brasil, causando milhares de mortes. Sua afirmação de que alertou o país sobre a necessidade de tratar o vírus e o desemprego com a mesma responsabilidade simplesmente não encontra eco na realidade. Ao contrário, desde março, seu comportamento de constante desrespeito às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) confundiu a população, ajudando a imprimir, no imaginário popular, uma falsa sensação de normalidade e segurança.

“Mais um vexame internacional”, destacou o líder da bancada do PT no Senado Federal, Rogério Carvalho (SE).  “O Brasil perdeu uma grande oportunidade assumir compromissos que tranquilizassem a comunidade internacional e os grandes investidores”, advertiu Carvalho. “Na ONU, Bolsonaro fez a única coisa que sabe fazer: MENTIR!”, afirmou.

Para o líder da Bancada do PT na Câmara, deputado  Enio Verri (PT-PR), o discurso de Bolsonaro foi uma “vergonha”. “O pronunciamento de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi no nível de sua microscópica estatura e alinhado à sua ideologia de vira-latas. O presidente colocou o Brasil em 2º plano, como se fosse um quintal do mundo, onde a população é de segunda classe. Vergonha”, destacou.

Aglomerações e mortes

Não à toa, o país viu um novo aumento de aglomerações em praias, bares e restaurantes no mês de setembro. Agora, paga-se a conta do afrouxamento da população no combate ao vírus. De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, o Brasil atingiu a marca de 137.445 mil mortes e 4,5 milhões de infecções confirmadas nesta terça-feira (22).

A média móvel de mortes variou 8% para cima em 15 dias, ficando em 748 mortes. Já o número de novos casos também mantém tendência de alta de 30 mil, em média. Além disso, cinco estados apresentam alta de mortes. A média de infecções, que estava em 27,3 mil novos casos em 10 de setembro, voltou a subir a partir do dia 16, quando o país bateu 31 mil novos registros. Ou seja, tudo o que Bolsonaro fez não foi “evitar um mal maior”.

200 mil mortos

Na mesma Assembleia onde Bolsonaro envergonhou o país perante o mundo, seu ídolo americano, Donald Trump, promoveu ataques ao multilateralismo que caracteriza a história de 75 anos das Nações Unidas. Em tom belicoso, Trump cobrou da entidade uma responsabilização da China pela pandemia. Os ataques ocorrem no mesmo dia em que os EUA ultrapassaram a triste marca de 200 mil vítimas fatais por coronavírus.

“O governo chinês e a Organização Mundial da Saúde, que é controlada pela China, falsamente declararam que não havia evidência de transmissão entre humanos”, atacou. “Depois, afirmaram falsamente que as pessoas sem sintomas não poderiam espalhar a doença. A ONU precisa responsabilizar a China pelas suas ações”, disse. Ele voltou a chamar o coronavírus de “vírus chinês”.

Ignorando a primeira colocação dos EUA em mortos no ranking mundial da pandemia, Trump destacou os resultados de uma campanha nacional contra o vírus. “Nos EUA, nós lançamos a mais agressiva mobilização desde a Segunda Guerra”, afirmou. “Rapidamente, produzimos um número recorde de ventiladores: criamos um excesso que nos permitiu compartilhar com os amigos e parceiros. Nós fomos os pioneiros em tratamentos para salvar vidas, reduzindo a taxa de fatalidade em 85% desde abril”, gabou-se Trump.

Com 204,9 mil mortos no colo e 7 milhões de casos da doença, que continua avançando, o presidente terá muito a explicar ao eleitor nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

Da Redação PT Nacional, com PT na Câmara, PT no Senado e agência de notícias

Após o Golpe de 2016, o flagelo da fome volta a apavorar o Brasil

Arte: Site do PT

De acordo com IBGE, entre 2017 e 2018 – depois do impeachment fraudulento que afastou Dilma – 10,3 milhões de brasileiros passaram privação de alimentos. Isso representa 5% da população brasileira. Governos Temer e Bolsonaro têm a marca do aumento da desigualdade e da miséria no país

Arte: Site do PT

O Brasil já havia voltado a figurar como um dos expoentes do Mapa da Fome das Nações Unidas, depois que a presidenta Dilma Rousseff sofreu um Golpe de Estado com o impeachment fraudulento aprovado pelo Congresso Nacional. Também já era sabido que a desigualdade de renda havia crescido no país desde 2016, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mas agora é oficial. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, 17 de setembro, que a fome voltou a crescer entre 2017 e 2018 – final do governo de Michel Temer. Nada menos que 10,5 milhões de brasileiros sofreram algum tipo de privação alimentar nos últimos dois anos. Isso representa 5% da população brasileira. De acordo com a ONU, a desnutrição seguiu a trajetória de alta no governo Bolsonaro. O último relatório da organização, divulgado em julho, aponta que a insegurança alimentar moderada e aguda aumentou 13% no país entre 2016 e 2019.

“A fome é uma realidade dentro de casa, em especial para mulheres, pretos e pardos”, lamentou a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “Sem se preocupar com o povo, governo Bolsonaro se omite sobre alta dos preços da comida e corta o auxílio emergencial para R$ 300, o que vai agravar a situação”, criticou a parlamentar. Outros petistas engrossaram o coro. “Quatro em cada 10 famílias brasileiras vivem em insegurança alimentar”, denuncia o senador Humberto Costa (PT-PE). “O nome disso é fome. Esse foi o resultado do golpe. Temos que lutar todos os dias pra dar dignidade aos brasileiros, enquanto Bolsonaro já deu as costas ao povo”.

A ex-ministra Tereza Campello, ao lado de Dilma, lembra que em 2014, relatório da ONU excluiu o Brasil do Mapa da Fome. “A verdade é que os governos deixaram de dar combate à fome, que deixou de ser prioridade de Temer e Bolsonaro”, denuncia a economista.

A ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Dilma Rousseff, a economista Tereza Campello, diz que o resultado divulgado pelo IBGE é ação direta da agenda econômica adotada após o impeachment. “A verdade é que os governos deixaram de dar combate à fome, deixou de ser prioridade de Temer e Bolsonaro”, critica. “O relatório da FAO, de 2014, enumera os fatores decisivos para o Brasil ter saído do Mapa Mundial da Fome à época: o aumento da renda dos mais pobres, a criação de empregos, o Bolsa Família, o fortalecimento da agricultura familiar e a melhora da merenda escolar”, explica. “Isso tudo desapareceu”.

Combate à fome foi prioridade com Lula e Dilma

Tereza lembra que, entre 2002 a 2013, caiu em 82% a população de brasileiros considerados em situação de subalimentação. “O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e mesmo assim a população se encontra agora em insegurança alimentar, porque a população não tem acesso à comida. Para ter acesso aos alimentos é preciso ter renda. Aumentamos o número de empregos formais e aumento do salário mínimo. Isso teve um impacto gigantesco, aumentando o acesso ao alimento”, ressalta.

A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE mostra que a insegurança alimentar grave havia recuado de 8,2% da população em 2004 para 5,8% em 2009. Em 2013, a proporção havia cedido para 3,6%. Em 2014, no último ano do primeiro governo de Dilma, o Brasil deixou o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Naquele ano, o país foi um dos grandes destaques do relatório. O indicador da fome volta agora a mostrar piora, um reflexo da omissão do governo federal.

Alessandro Dantas
O Senador Humberto Costa (PT-PE): “Esse foi o resultado do golpe. Temos que lutar todos os dias pra dar dignidade aos brasileiros, enquanto Bolsonaro já deu as costas ao povo”.

Para identificar o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, caracterizada pelo consumo insuficiente de alimentos, inclusive entre as crianças, o IBGE consultou 57.920 domicílios entre junho de 2017 e julho de 2018, período abrangido pelo governo Michel Temer. Bolsonaro agravou a política econômica do antecessor, o que significou um cavalo de pau nas prioridades de Lula e Dilma e o aprofundamento da agenda neoliberal sob os auspícios do ministro Paulo Guedes.

A situação mostrou-se mais grave nas regiões Norte e Nordeste, um padrão que se repete em outros indicadores sociais. Na região Norte, em 10,2% dos domicílios pelo menos um morador tinha fome, seguido pelo Nordeste (7,1%). O percentual era menor no Sul (2,2%) e Sudeste (2,9%).

Também era mais grave nas áreas rurais, outro padrão conhecido da fome no Brasil. Dados da pesquisa mostram que 7,1% dos domicílios tinham situação grave de insegurança alimentar, acima do registrado nas áreas urbanas (4,1%). Regiões rurais costumam ter menores rendimentos.

Vale lembrar que há pouco mais de um ano, Bolsonaro disse que a fome no Brasil era uma “grande mentira”. “Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não”, afirmou o presidente na ocasião. “O projeto de Bolsonaro é a destruição”, criticou o senador Jean Paul Prates (PT-RN).

Da Redação PT Nacional