PT aciona Augusto Aras para garantir vacinação universal ao povo brasileiro

Senadores do PT entraram com representação junto à Procuradoria Geral da República para apontar erro na estratégia do governo Bolsonaro, apontando que não há segurança de que a imunização contra o Covid-19 será ampla. Bancada teme a violação do direito de toda a população ao acesso universal à vacina contra o novo coronavírus

Agência PT

A bancada do PT no Senado entrou nesta quarta-feira, 9 de dezembro, com representação junto à Procuradoria Geral da República para cobrar que o procurador Augusto Aras apure, acompanhe e determine providências quanto à atuação do Ministério da Saúde. Os senadores questionam as ações adotadas pelo governo para assegurar a vacinação contra o Covid-19. Há um temor de que o governo esteja omisso e não tenha assegurado uma política de imunização universal que assegure cobertura total à população brasileira. 

Os senadores do PT alertam que as medidas anunciadas até agora pelo ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, são preocupantes e não asseguram uma eficaz política de ampla imunização contra o novo coronavírus. Na representação, a bancada é taxativa: “Feitas as contas frente ao contingente populacional do país, a estratégia adotada pelo governo não alcançará a totalidade da população brasileira”.

O Ministério da Saúde divulgou, em reunião técnica, definições preliminares da estratégia de vacinação da população contra p Covid-19. De acordo com a pasta, o processo envolverá quatro etapas e serão alcançados 109,5 milhões de doses, sendo que o esquema vacinal imunizante adotado envolve a aplicação de duas doses. Diante de uma população de 208 milhões de brasileiros, o número de doses da vacina é insuficiente para atender ao conjunto da sociedade brasileira.

Aquisição de vacinas não é global

Os seis senadores petistas – o líder Rogério Carvalho (SE) e mais Humberto Costa (PE), Jean Paul Prates (RN), Jaques Wagner (BA), Paulo Rocha (PA) e (Paulo Paim (RS) – também atentam Augusto Aras para o possível desvio do princípio da integralidade quanto ao fato de que a estratégia do Ministério da Saúde menciona apenas tratativas para aquisição das vacinas da Pfizer e Biontech para o ano de 2021. Não há nenhuma determinação para a aquisição da Coronavac, iniciativa da empresa chinesa Sinovac em conjunto com o Instituto Butantan.

No documento, os senadores do PT ainda apontam a urgência para que os processos de avaliação de uso emergencial de vacinas contra a Covid-19 sejam adotados a fim de assegurar uma logística mínima para aquisição de insumos, o sistema de informações, a definição das estratégias de monitoramento e avaliação da campanha. E, principalmente, estabelecer que a aquisição das vacinas estejam sob a coordenação do Ministério da Saúde como medida para garantir a equidade entre estados.

“O que causa preocupação é que o Ministério da Saúde parece, em tese, não estar a acompanhar o ritmo com que outras nações com contaminação representativa e pujante imprimiram no sentido de assegurar o acesso da sua população à vacina”, diz a representação entregue à PGR. “Por isso, faz-se necessária a atuação fiscalizatória e promotora dos direitos humanos fundamentais”, finaliza a bancada do PT.

Da Redação, com o PT no Senado

Anvisa volta atrás e autoriza retomada de testes da vacina. Desmoralizado, Bolsonaro fica chupando dedo

Menos de 48 horas depois de suspender exames clínicos com a Coronavac, agência de vigilância sanitária brasileira diz que medicamento pode ser retomado e recua na decisão, vista como posição política para agradar o líder da extrema-direita. Presidente se desmoraliza perante o Brasil e o mundo, depois que o STF cobrou explicações do governo. O líder Rogério Carvalho volta a criticar o inquilino do Planalto: “Mais uma vez o desrespeito dele à vida fica para a história com a morte de quase 163 mil brasileiros”

Agência PT

O mundo assiste estupefato as idas e vindas do governo brasileiro em meio à crise sanitária do coronavírus. Menos de 48 depois de ter decidido suspender os testes da Coronavac, a vacina contra o Covid-19 desenvolvida empresa indústria farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou atrás e autorizou nesta quarta-feira, 11 de novembro, a retomada dos testes clínicos em larga escala do medicamento.

O presidente Jair Bolsonaro questionou repetidamente a eficácia prospectiva do Coronavac, e em outubro, rejeitou a possibilidade de o governo federal comprar o medicamento. Ele desautorizou o ministro da Saúde, General Eduardo Pazuello, dizendo que os brasileiros não seriam usados como cobaias. Ontem, o presidente comemorou a suspensão da Anvisa, dizendo que isso era uma vitória para ele e apontando em redes sociais: “ Jair Bolsonaro vence novamente”.

A decisão inicial da Anvisa gerou uma enxurrada de denúncias de que a ação era mais política do que científica. O fato de Bolsonaro ter comemorado a decisão da Anvisa, apontando que a decisão era um golpe na vacina chinesa, ganhou repercussão internacional e críticas da oposição. A agência citou um “evento adverso sério” que ocorreu em 29 de outubro como motivo para interromper os testes, mas hoje destacou ter “elementos suficientes para permitir que a vacinação seja retomada”.

A decisão da agência foi adotada menos de 24 horas depois do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, cobrar explicações do governo, atendendo a pedido apresentado pelo Partido dos Trabalhadores e outras legendas da oposição – PSB, PCdoB, Cidadania e PSOL. O relator da arguição de descumprimento de preceito fundamental apresentada pela oposição deu 48 horas para a Anvisa se explicar. Parlamentares do PT criticaram o governo, que parece pouco se importar com o desenrolar da crise sanitária. O Brasil tem mais de 162 mil mortos e 5,6 milhões de pessoas contaminadas, desde o início da pandemia do Covid-19.

Críticas do PT

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), subiu o tom nas críticas a Bolsonaro, exigindo explicações. “Não podemos aceitar politizar uma questão crucial para saúde pública nacional”, reagiu o parlamentar. “Mais uma vez o desrespeito dele à vida fica para a história com a morte de quase 163 mil brasileiros”.

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), e outros líderes da legenda apontam que a suspensão dos testes determinada pela Anvisa foi motivada pela desconfiança de Bolsonaro. Ele é um crítico ferrenho da China e promove uma política de alinhamento automático ao governo de Donald Trump. A Anvisa havia tentado apontar que a decisão havia sido baseada em questões técnicas e reclamado informações iniciais suficientes sobre o caso.

O Instituto Butantan anunciou que desde o final de outubro a agência havia sido informado de que um paciente que testava a vacina havia sido encontrado morto. O Instituto Médico Legal de São Paulo disse que há evidências de que o paciente que usava a Coronavac teria se suicidado, mas esclarecendo que o episódio não tem qualquer relação com o uso do medicamento.

Nesta quarta-feira, ao anunciar o recuo e autorizar a retomada dos testes, a agência se justificou dizendo que “continua monitorando a investigação do desfecho do caso para definir a possível relação causal entre o evento inesperado e a vacina”. Mas não especificou que tipo de evento ocorreu. Cerca de 10 mil voluntários estão participando da fase três de testes da candidata Sinovac, uma das várias vacinas potenciais em teste. O Brasil é a segunda nação com maior número de mortes pelo Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos.

As interrupções temporárias de testes de drogas e vacinas são relativamente comuns; em pesquisas envolvendo milhares de participantes, alguns provavelmente ficarão doentes. Pausar um estudo permite que os pesquisadores investiguem se uma doença é um efeito colateral ou uma coincidência. No mês passado, duas farmacêuticas retomaram os testes de suas possíveis vacinas contra o coronavírus nos Estados Unidos depois que foram suspensas anteriormente.

Da Redação PT Nacional

Mídia estrangeira destaca a reação destemperada de Bolsonaro à vacina chinesa

Jornais influentes como o inglês ‘The Guardian’ e o americano ‘New York Times’ ressaltam a declaração de ‘vitória’ de Bolsonaro diante da suspensão dos testes da Coronavac. Críticos apontam que o líder da extrema-direita está tentando tirar proveito político da situação e especialistas estranham a falta de explicações técnicas para a decisão da Anvisa. País já tem 162 mil mortos pelo novo coronavírus

Agência PT

O presidente Jair Bolsonaro volta a mostrar sua verdadeira face diante da comunidade internacional na condução da pandemia do novo coronavírus no Brasil, expondo a imagem do país de maneira vexatória e irresponsável. Desde o início da manhã desta terça-feira, 10 de novembro, jornais influentes nos Estados Unidos e na Europa, além das principais agências internacionais de notícias, divulgaram a reação do líder da extrema-direita comemorando a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender os testes da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em conjunto com o Instituto Butantan, contra o Covid-19. O Brasil tem 162,6 mil mortes pelo novo coronavírus e mais de 5,6 milhões de casos de pessoas infectadas.

Associated Press destacou em reportagem que a decisão da Anvisa parece “ter sido motivada não pela ciência, mas pela hostilidade política do líder ao país e ao estado [de São Paulo] envolvido na produção da vacina candidata”. O Coronavac está sendo testado em sete estados brasileiros, além do Distrito Federal. O despacho da AP ressalta que a decisão da Anvisa é “outro golpe de Bolsonaro” contra a vacina. O britânico Financial Times reporta que o Brasil enfrenta reação política após a suspensão do teste da vacina Covid desenvolvida na China. E que Pequim está empenhada em usar o setor farmacêutico para divulgação diplomática pós-pandemia

A agência Reuters destacou no título do material distribuído em todo o planeta que Bolsonaro comemorou “a suspensão do teste da vacina Sinovac como uma ‘vitória’”. A Anvisa anunciou que manterá a suspensão e não deu qualquer indicação de quanto tempo pode durar. Os organizadores dos testes criticaram a decisão da Anvisa, dizendo que não haviam sido notificados com antecedência e que não havia motivos para interromper o julgamento. Embora um voluntário do ensaio tenha morrido, isso não teve nada a ver com a vacina, disse Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde do estado de São Paulo.

O jornal americano New York Times questionou a decisão do país: “Brasil interrompe teste de vacina chinesa. Mas a culpa foi da ciência ou da política?”. O diário estadunidense – um dos mais influentes do mundo – informa que “o governo brasileiro ofereceu poucas explicações sobre o motivo pelo qual parou abruptamente os testes de uma promissora injeção de coronavírus que milhares de pessoas já receberam”. O jornal traz Tao Lina, especialista em vacinas em Xangai, apontando que a suspensão brasileira não foi baseada na ciência, mas na política.

Reprodução

De acordo com a reportagem assinada pelo chefe da sucursal do NYTimes no Brasil, Ernesto Londoño, em outubro Bolsonaro já havia reagido com “raiva” ao saber que o Ministério da Saúde pretendia comprar 46 milhões de doses da vacina. “Eu ordenei que fosse cancelado”, disse ele. “Parece que nenhum país do mundo está interessado nessa vacina chinesa”. O jornal lembra que especialistas em vacinas consideram os dados dos testes iniciais do Sinovac promissores. “Os resultados dos testes de Fase 1 da empresa não mostraram efeitos adversos, e os testes de Fase 2 mostraram 90% de proteção contra o SARS-CoV-2, o vírus que causa o Covid-19”, destaca o jornal.

O inglês The Guardian destaca que Bolsonaro provocou indignação ao se gabar da suspensão dos ensaios clínicos da vacina chinesa contra o coronavírus após a morte de um voluntário. “Outra vitória de Jair Bolsonaro”, escreveu em comentário postado pela conta oficial do líder de extrema direita do Brasil na noite de segunda-feira no Facebook. Ele fez o comentário depois que a agência reguladora de saúde do país, a Anvisa, anunciou ter interrompido os testes do Coronavac.

A reportagem de Peter Beaumont e Tom Phillips é contundente. “Embora os ensaios de vacinas sejam frequentemente interrompidos para investigar suspeitas de efeitos colaterais, incluindo o ensaio de fase 3 da vacina da Universidade de Oxford University e AstraZeneca, a linguagem usada pelas autoridades brasileiras foi invulgarmente forte, embora não tenham fornecido detalhes adicionais, exceto que o evento adverso ocorreu no final de outubro”, apontam no texto.

Segundo a matéria do Guardian, o comentário de Bolsonaro ocorre na esteira da divulgação de que a vacina alemã BioNTech/ Pfizer demonstrou 90% de eficácia em seus resultados provisórios. “O anúncio brasileiro marcou o mais recente tropeço em um progresso global que está sendo observado com ansiedade em todo o mundo”, aponta o texto. “Os críticos expressaram preocupação sobre o que às vezes parecia uma corrida inconveniente e às vezes antiética para obter vacinas aprovadas para uso”.

Da Redação PT Nacional, com agências internacionais de notícias

Vírus da dengue pode gerar proteção contra Covid-19, sugere estudo

Estudo conduzido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, divulgado com exclusividade pela agência de notícias ‘Reuters’,  aponta uma correlação entre dengue e coronavírus que pode levar a uma possível imunização contra ação da Covid-19. “Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, observa o estudo.

Miguel Nicolelis: infecção ou imunização para dengue pode produzir proteção contra Covid-19.  Foto: Deivyson Teixeira

Um estudo conduzido pelo neurocientista Miguel Nicolelis, divulgado com exclusividade pela agência de notícias ‘Reuters’,  sugere que uma correlação entre dengue e coronavírus pode levar a uma possível imunização contra a ação da Covid-19. O estudo liderado por Nicolelis, que é coordenador do Comitê Científico Consórcio do Nordeste, constatou que regiões com maior incidência de infecções por dengue na população apresentaram, inversamente, menos casos e mortes por coronavírus em um mesmo período. Os resultados indicam uma possível “interação imunológica” entre os dois vírus.

“Se comprovada correta em futuros estudos, esta hipótese pode significar que a infecção pela dengue ou uma eventual imunização com uma vacina eficaz e segura para dengue poderia produzir algum tipo de proteção imunológica para SARS-CoV-2, antes de uma vacina para SARS-CoV-2 se tornar disponível”, aponta o estudo.

De acordo com Nicolelis, há evidências de que pessoas que já tiveram dengue e que também testaram positivo para Covid-19 não desenvolveram a doença, o que sugere a produção de anticorpo eficaz para os dois vírus. “Isso indica que existe uma interação imunológica entre os dois vírus que ninguém poderia esperar, porque os dois vírus são de famílias completamente diferentes”, afirmou Nicolelis, em entrevista à ‘Reuters’.

Os pesquisadores perceberam a correlação ao estudar a propagação do coronavírus no país, sobretudo pelas rodovias brasileiras. Os casos de dengue no Brasil em 2019 e 2020 ocupavam as áreas com menor incidência de Covid-19. “Fui olhar no Ministério da Saúde se tinha alguma explicação para essas coisas estranhas, se tinham outros indicadores de doenças que eu não estava percebendo, e de repente encontro o mapa de dengue de 2020 do Brasil”, espantou-se Nicolelis.

“Eu peguei o mapa de casos de coronavírus e coloquei lado a lado com o mapa de dengue, e encontrei o que a gente chama de distribuição complementar: regiões com pouco coronavírus estão cheias de dengue”, explicou o cientista. Ele ressalta, no entanto, que a pesquisa é um estudo epidemiológico e testes sorológicos ainda não foram realizados.

Queda de casos de dengue x coronavírus

A queda incomum de casos de dengue, em março, também chamou a atenção dos pesquisadores. Isso porque o ano havia começado com alta incidência da doença. “Os nossos resultados epidemiológicos sugerem a hipótese, que ainda precisa ser testada amplamente, que o SARS-CoV-2 compete com o vírus da dengue pelas mesmas pessoas, pelo mesmo pool de suscetíveis”, explicou o pesquisador. “Como o SARS-CoV-2 é transmitido homem-homem, ele teria uma grande vantagem para ganhar esta competição, em relação à dengue, que depende de um mosquito”, observou Nicolelis.

A equipe também acompanhou a disseminação das duas doenças em 15 países da América Latina e constatou o mesmo fenômeno de correspondência entre os vírus. “Quanto mais casos de dengue um país teve durante a epidemia mundial de dengue em 2019 e nos primeiros meses de 2020, menos casos de Covid-19 o país registrou até julho de 2020”, aponta o estudo. “Basicamente, isso foi muito similar aos resultados obtidos usando dados para os Estados brasileiros”.

Após a conclusão do estudo, Miguel Nicolelis destaca que é preciso avançar nos estudos e testes. “Evidentemente que este é um estudo preliminar do ponto de vista do que fazer, mas ele abre uma porta que pode ser rapidamente explorada, e se ela for verdadeira, você pode ter um grau de proteção para coronavírus se você teve dengue ou se você é imunizado para dengue”, afirmou Nicolelis.

“Eu não sei dizer qual é a porcentagem, mas ela é suficiente para aparecer nesses gráficos. Alguma coisa existe”, afirmou.

Da Redação PT Nacional, com ‘Reuters’