Denúncia do envolvimento do filho de Bolsonaro com a corrupção repercute no exterior

Jornais influentes como os ingleses ‘The Guardian’ e ‘Financial Times’, os americanos ‘New York Times’, ‘Washington Post’ e ‘Wall Street Journal’, além das agências internacionais de notícias – como Associated Press, France Presse e Reuters – destacam acusações contra Flávio Bolsonaro por desvio de dinheiro público. “O senador de 39 anos é acusado de pertencer a uma organização criminosa”, destaca a mídia estrangeira

Agência PT

A acusação contra o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro por envolvimento direto com o crime organizado, incluindo alegações de comandar uma quadrilha responsável por desvio de dinheiro público quando era deputado no Rio de Janeiro, ganhou destaque na imprensa internacional. O noticiário amplia a percepção negativa da imagem do Brasil perante a comunidade internacional, além de mostrar o vínculo direto entre a família do presidente e a corrupção.

Financial Times avalia que a denúncia “ameaça enredar o líder do país”. Já o New York Times, em despacho do chefe da sucursal do jornal no Brasil, o repórter Ernesto Londoño, informa que o caso mina uma das principais promessas que impulsionaram Bolsonaro à vitória em 2018. A promessa de que Bolsonaro estava “singularmente equipado para erradicar a cultura da má-fé na política brasileira” foi quebrada.

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Nesta quinta-feira, 5 de novembro, outros jornais influentes nos Estados Unidos – Washington Post e Wall Street Journal – além de outros diários respeitáveis na Europa – Financial TimesThe Guardian e L’Express – destacaram em suas páginas que o Ministério Público do Rio de Janeiro formalizou uma denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), apontando-o como chefe de uma organização criminosa e de lavagem de dinheiro quando entre 2007 e 2018.

Os promotores alegam que Flávio tinha pessoas em sua folha de pagamento custeada pelos cofres públicos que não eram obrigadas a trabalhar e que tinham que devolver parte de seus salários. “Senador filho do presidente brasileiro é acusado de crimes”, destaca a agência de notícias Associated Press. “Brasil: Filho de Jair Bolsonaro é acusado de corrupção dez dias antes das eleições municipais”, aponta a Radio France Internacional.

O despacho da AP é reproduzido pelo Washington Post, além de outros 12,5 mil veículos noticiosos em todo o mundo. O texto lembra que os promotores acusaram ainda Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador, preso em junho. “Queiroz é amigo de longa data do presidente Bolsonaro, que disse no ano passado que os dois não se falavam desde que as alegações surgiram”, reporta. “A polícia encontrou Queiroz escondido na casa de um advogado do presidente e do senador Bolsonaro”.

Família no pântano

O inglês The Guardian relata que a primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, também está na mira dos investigadores com acusações de ter recebido uma série de pagamentos misteriosos de Queiroz, amigo de Bolsonaro e acusado de pertencer à quadrilha. Ele atuaria como operador do esquema. “Bolsonaro não fez comentários imediatos”, informa o diário. “Mas as acusações são o último constrangimento para o ex-capitão do Exército que assumiu o poder em 2018 se retratando como um forasteiro, assim como Trump, e um cruzado anticorrupção que drenaria o pântano brasileiro”.

A agência France Presse também deu destaque na quarta-feira, 4, em despacho distribuído a veículos em todo o mundo: “Brasil: Pedido de indiciamento do filho mais velho de Bolsonaro por corrupção”. O material foi destaque nos jornais franceses Le Point, L’Express e La Provence. A agência alemã de notícias Deutsche Welle também repercutiu as “alegações de corrupção” contra Flávio: “A suspeita pesa muito: o senador brasileiro teria desviado dinheiro público com a ajuda de falsos funcionários. Não é a primeira investigação contra o político”, aponta.

A Reuters também deu na manchete que o filho do presidente Bolsonaro é acusado de corrupção, assim como o serviço noticioso Voz da América. A ABC da Austrália ressalta a acusação de lavagem de dinheiro.

Da Redação PT Nacional